“Viva la vulva livre!”, relato de Maria* sobre a Marcha das Vadias e outras vivências

Nós estamos muito felizes com a quantidade de pessoas que estão nos procurando para colaborar de alguma forma com a Marcha, inclusive enviando seus relatos pessoais. Segue, abaixo, mais um desses lindos relatos que nos emocionam e nos motivam a seguir em frente. Obrigada, Maria*! Quem também quiser compartilhar seu relato, sinta-se à vontade para nos enviar por e-mail que publicaremos aqui: marchadasvadiasdf@gmail.com

Os relatos podem ser assinados, anônimos ou com nomes fictícios, o que você preferir.🙂

Estamos juntas!

*

Quando cheguei na frente do Conjunto Nacional deviam ter umas 30 pessoas meio em roda ainda terminando alguns cartazes e começando a fazer alguns gritos. Fiquei tensa. Não fazia muito tempo havia ocorrido uma manifestação na UnB, onde estudo, contra a homofobia onde haviam aparecido alguns caras a lá skin heads que ameaçaram algumas de nós. Parece tão rídiculo protestar por coisas básicas. Mas aí a gente protesta por respeito e vê o quanto falta para que ele aconteça de fato. Então estava em mais um protesto, fora da universidade, com repórteres por perto e curiosos olhando. Mas aí, caminhei entre as pessoas, na maioria mulheres, com cartazes e corpos pintados e me reconheci nelas. Abri o cartaz que levava onde se dizia “Viva la vulva livre!”, e aproveitei o verso para colocar mais uma frase que vi em fotos de outras marchas das vadias: “respeito é sexy”. Com o início dos cantos e do movimento aquela apreenção inicial some. O número de pessoas cresce bastante e nós ganhamos força. Quando olho somos muitas! tantas! Me emocionei vendo tantas mulheres tão diferentes e homens também reunidas/os para exigir respeto. 
Me lembrei das mulheres da minha família de várias gerações que já sofreram abuso sexual e agressões de homens. São várias. É tão próximo… Me lembrei também das pequenas coisas, pequenas e constantes invasões a nossos corpos. Me lembrei de como vários homens me veem com minha namorada e resolvem que isso tem a ver com eles. Mesmo que lhes diga bem clamente “velho, sai daqui”. Incrivel como esses artifícios perversos de dominacão são normalizados. Já ouvi várias vezes quando era nova que ‘quando uma mulher diz não na verdade quer dizer sim’. Pronto. Se o cara internaliza isso não consegue conceber os “nãos” que recebe de mulheres e aí já tem tudo pronto pra ser um agressor, principalmente porque não se percebe agredindo. 
Acredito que por vivermos cotidianamente as agressões desse modelo masculinista e machista que é tão incrível ver tantas mulheres se fazendo ouvir e exigindo respeito. Por isso nos é tão evidente que a questão deva ser lidada a partir da educação. Outro dia vi um primo de 6 anos falar que uma música era coisa de “mulherzinha”, assim no diminutivo (alguém já ouviu que uma coisa é menor por ser de “homenzinho”?), e que ele aprendeu isso com um tio dele. Taí: uma semente de machismo. Ao completar 10 anos quantas ele já não vai ter recebido? Será que meu primo também vai ouvir que não de mulher quer dizer sim? Para o bem do meu primo e de todxs, que as relações de gênero comecem a ser trabalhadas de forma não hegemonica dentro das salas de aula e das casas. 

mexeu com uma, mexeu com todas!

boa marcha para todas!😉

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: