Carta de princípios da Marcha das Vadias do Distrito Federal

Identidade

  • Somos vadias: mulheres feministas, que lutamos em marcha contra as discriminações de raça, sexualidade, gênero, credo e classe. Temos direito a nossas vidas, e a vivê-las como quisermos, e livres de qualquer forma de violência.
  • Acreditamos que o fim da violência contra a mulher está diretamente ligado à transformação dos valores conservadores e hegemônicos em nossa sociedade, assim como à superação do patriarcado, de todos os fundamentalismos, da lesbofobia, da bifobia, da transfobia, da homofobia, do machismo, do racismo e do capital.
  • Defendemos que todas nós temos o direito de escolher sobre nossos corpos.

Organização

  • A Marcha das Vadias DF é auto-organizada por mulheres, de maneira autônoma e horizontal.
  • Incentivamos o “faça você mesma”!
  • Para respeitar a heterogeneidade de posicionamentos políticos e ideológicos das mulheres que constroem a Marcha,coletivos, movimentos, organizações, instituições e partidos não compõem a organização da Marcha das Vadias DF.
  • Nos organizamos em comissões abertas à participação de qualquer mulher interessada em construir a Marcha das Vadias DF.
  • Os espaços de deliberação da Marcha das Vadias DF são a lista de e-mails e as reuniões gerais.
  • As mobilizações do Coletivo não se restringem ao dia da Marcha

Representatividade

  • Qualquer integrante da organização da Marcha das Vadias DF pode representá-la em espaços de construção coletiva, atos, reuniões ou entrevistas. Para isso, no entanto, é necessário conversar anteriormente com as demais vadias nas instâncias de deliberação da Marcha para ver se há acordo e interesse sobre essa representação e quais caminhos seguir.

Dia da Marcha

  • Toda pessoa que defende o fim das violências contra as mulheres é bem-vinda no dia da marcha.
  • A segurança no dia da marcha é organizada de maneira autônoma pelas integrantes da Comissão de Segurança articulada previamente.
  • A estética da Marcha das Vadias é pautada na criatividade em dizer o que queremos, seja em cartazes, no próprio corpo ou canções e gritos de desordem.
  • Cada pessoa pode ir vestida como quiser.
  • Não concordamos com o uso de bandeiras, faixas e carros de som que possam promover outros movimentos/instituições durante a Marcha das Vadias DF.

 Apoio

  • O apoio de homens, coletivos, movimentos, organizações, instituições e partidos é bem-vindo à Marcha das Vadias DF.
  • Incentivamos participação na Marcha, como: notas de apoio, participação no dia da marcha, desconstrução do machismo no dia a dia, troca de conhecimentos, com as vadias, realização de doações, entre outras

 

– 2013 –

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3 pensamentos sobre “Carta de princípios da Marcha das Vadias do Distrito Federal

  1. Olá , que dia vai ser a marcha ? bjs

  2. Marcelo disse:

    Olá “vadias”, inicialmente, as parabenizo pelo ativismo. Sou Promotor de Justiça e atuo numa área onde a violência contra a mulher mostra a faceta mais acentuada da concepção patriarcal de nossa sociedade: a violência doméstica. São inúmeros e diários os casos de mulheres injuriadas, ameaçadas, mutiladas, estupradas e, não raro, mortas, pelas mãos daqueles que se diziam seus “companheiros”. Mas essa visão hierarquizada das relações domésticas tem sido energicamente combatida! Ao menos no que depender do Ministério Público. Aliás, fiz esse apanhado para pedir apoio no combate à PEC 37, também conhecida como PEC DA IMPUNIDADE. Li que a Marcha não se pauta por movimentos, organizações, instituições e partidos. Mas vejam que o repúdio a esta PEC não representa nenhum alinhamento a organizações ou partidos, mas sim, à defesa de uma causa que também representa os interesses protetivos das mulheres, e também de inúmeras outras minorias. Digo isto porque, diariamente, atendemos inúmeras mulheres vítimas de violência, que, não tendo encontrado amparo junto às demais esferas estatais, notadamente no âmbito policial, recorrem às Promotorias de Justiça, ocasiões em que providenciamos medidas protetivas de urgência, inclusive a prisão do agressor. E esta realidade tende a mudar, acaso a tal PEC seja aprovada, já que, desta forma, o Ministério Público estaria impedido de fazer estes atendimentos emergenciais. Por todas estas razões, coloco esta questão para que vocês apreciem a pertinência de colocá-la na pauta da Marcha do dia 22.

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