Arquivo do autor:Maíra Carvalho

Como ir para a Marcha Das Vadias?

Muitas pessoas perguntam-nos como ir para a Marcha das Vadias, o nome é impactante e bem-humorado, mas pode confundir. Por isso resolvemos aqui colocar alguns pontos para discutir com @s companheir@s de luta.A resposta a essa pergunta é simples: com muita disposição e vontade de mudar o mundo! Essa vontade é o principal para qualquer participante da Marcha das Vadias.
A Marcha trata de liberdade em vários sentidos, inclusive estética; assim, sinta-se livre para vestir-se da maneira que desejar, qualquer tipo de expressão é bem-vinda. A ideia de vestir-se como vadia surgiu ainda no Canadá e pode ser um jeito divertido de participar, mas não é nem de longe obrigatório. Vá como desejar, expresse-se como mulher livre e componha a Marcha que pretende mudar a visão patriarcal de sociedade! O único acessório obrigatório é o protetor solar. Fica a dica de que o sol em Brasília, ao meio dia é forte; chapéus também são bem-vindos.
A Marcha das Vadias é também um evento familiar, assim, traga suas filhas, sua mãe, sua avó e azamiga! Meninos também são bem vindos, de qualquer religião, orientação sexual e opção política. Só pedimos para respeitarem o espaço das mulheres e tomarem cuidado com vestimentas que eram para ser engraçadas, afinal, machismo não é piada.
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Marcha das Vadias — Oficina de Cartazes

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Construindo a Marcha juntas!

Um tweet em favor da Marcha das Vadias

Na tarde desta quinta-feira (16), simpatizantes da Marcha das Vadias de todo País promoveram um twittaço. A intenção era divulgar os ideais da manifestação, além de promover o evento por meio do Twitter.  A ação será simultânea em três Estados brasileiros. Em Brasília, Belo Horizonte e Florianópolis a marcha acontece neste sábado (18), a partir das 12h da tarde.

O twittaço estava marcado para as 15h, mas bem antes do inicio mulheres e homens já usavam a rede social como ferramenta de denúncia contra a violência sofrida por mulheres. Quando o twittaço começou, milhares de pessoas pediam em seus Twitters por mais respeito e divulgaram o evento previsto para sábado, seguido de #marchadasvadias .

A mensagem passada pela manifestação é de que os homens não têm o direito de abusar sexualmente das mulheres, independentemente do que elas estejam vestindo. Segundo as manifestantes, a marcha é um pedido de respeito e um grito de liberdade das mulheres.

Levantamento da Secretária de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) aponta que somente no Distrito Federal, em cinco meses foram 283 casos registrados de mulheres estupradas.

Em Brasília, a concentração da marcha acontece em frente ao shopping Conjunto Nacional. Os manifestantes vão percorrer a Rodoviária, a Torre de TV e seguir para o Parque da Cidade.

No mundo, a primeira Marcha das Vadias aconteceu em Toronto, no Canadá. A manifestação reuniu cerca de três mil pessoas. Mulheres de todas as idades, e alguns homens, saíram às ruas para protestar. A iniciativa foi teve início dias após uma palestra proferida a um grupo de estudantes da Universidade de York, em janeiro deste ano. A palestra abordava como evitar a violência sexual.

Na ocasião o palestrante e policial, Michael Sanguinetti, disse ao público feminino presente a seguinte frase: “As mulheres deveriam evitar se vestir como vagabundas (sluts) para não se tornarem vítimas”.

No Brasil, a Marcha das Vadias já aconteceu em algumas cidades. No último sábado (11), na cidade do Recife, em Pernambuco, mais de 200 mulheres foram para as ruas, vestidas com roupas curtas, para protestar contra a violência.

Na cidade de São Paulo a manifestação foi no dia 4 de junho, há um pouco mais de 10 dias. Um pouco mais de 300 mulheres protestaram. Não só no Brasil, após a iniciativa das estudantes universitárias canadenses está se espalhando mundo a fora. A Marcha das Vadias já aconteceu em vários países além do Brasil. Manifestantes femininas dos Estados Unidos, Argentina, Holanda e México já saíram para as ruas com palavras de ordem contra o machismo e a violência.

Em Brasília, grupos já se reúnem para a produção de materiais que serão utilizados na Marcha das Vadias. Nesta quinta-feira um grupo de pessoas se reúne, às 18h30, para a oficina de cartazes da Marcha das Vadias. O grupo estará concentrado na FA/UnB.

Fonte: ClicaBrasília

Tuitaço

Está acontecendo agora! Use a hashtag #MarchaDasVadias e VAMOS COLOCAR NOS TRENDING TOPICS!

Carta Manifesto da Marcha das Vadias de Brasília – Por que marchamos?

Em Brasília, marchamos porque apenas nos primeiros cinco meses desse ano, foram 283 casos registrados de mulheres estupradas, uma média de duas mulheres estupradas por dia, e sabemos que ainda há várias mulheres e meninas abusadas cujos casos desconhecemos; marchamos porque muitas de nós dependemos do precário sistema de transporte público do Distrito Federal, que nos obriga a andar longas distâncias sem qualquer segurança ou iluminação para proteger as várias mulheres que são violentadas ao longo desses caminhos.

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço; marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.

No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.

Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque transamosantes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, por um ou vários homens ao mesmo tempo, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e curradas durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.

Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque tiveram seus corpos invadidos, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres.

Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!

 

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