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“Fiz dois abortos e não me culpo”, afirma a jornalista Marina Caruso

“Fiz dois abortos e não me culpo”, afirma a jornalista Marina Caruso

Redatora-chefe de Marie Claire, grávida de quase sete meses, conta porque decidiu interromper duas gestações anteriormente

MARINA CARUSO, REDATORA-CHEFE DE MARIE CLAIRE, CONTA PORQUE INTERROMPEU DUAS GESTAÇÕES ANTERIORMENTE (Foto: Márcio Scavone)MARINA CARUSO, REDATORA-CHEFE DE MARIE CLAIRE, CONTA PORQUE INTERROMPEU DUAS GESTAÇÕES ANTERIORMENTE (FOTO: MÁRCIO SCAVONE)

“Na semana em que este artigo é publicado, completo seis meses e meio de gestação. Quando o bebê nascer, estarei com 34 anos e 8 meses. Temo horas insones, amamentação e dilemas da educação infantil, mas sei que estou emocional e profissionalmente pronta para ser mãe. O mesmo não aconteceu em 1999 e em 2002, quando, aos 19 e 22 anos, decidi interromper duas gestações.

Nas duas ocasiões, achei que o coito interrompido resolveria minha resistência à pílula e a de meu então namorado à camisinha. Não deu certo e acabamos numa clínica de abortos clandestina em uma maternidade na Zona Sul de São Paulo. Em uma semana, fazia-se a avaliação do caso. Na seguinte, marcava-se o procedimento. Lembro-me com nitidez da sala de cirurgia onde fiz o que o médico disse ser “uma curetagem supernormal em países onde o aborto é legalizado”. Por R$ 1.200 (o equivalente a R$ 3.000 hoje), o problema foi resolvido em apenas três horas. Ao despertar da sedação senti um pouco de cólica e nada mais.

Não quero fazer apologia do aborto. No Brasil, isso é crime, com pena de um a três anos de prisão. Mas seria leviana em dizer que me sinto mal por tê-lo feitoA compreensão dos meus pais e a minha convicção de que aquele não era o momento para engravidar me eximem de culpa. Tive (e tenho!) uma mãe maravilhosa: coerente na ação e no discurso nos momentos mais difíceis da minha criação. E sempre soube que o mínimo que eu teria de fazer era tentar me igualar a ela. Aos 19 e aos 22 anos, quando só pensava em mim mesma, nos gatinhos e em baladas, isso seria impossível. Aos 34, não será fácil. Mas além de uma mãe dedicada, meu filho terá um pai incrível. Orgulhoso não só dele, mas da mulher que escolheu.

 

Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2013/05/fiz-dois-abortos-e-nao-me-culpo-afirma-jornalista-marina-caruso.html

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Marcha do Parto em Casa, esse domingo, 17/06, em Brasília e outras cidades!

“A história da obstetrícia é a história de uma luta em busca de poder. A história da obstetrícia é a história da exclusão da mulher, da depreciação do universo feminino, da transformação de uma atividade inerentemente feminina, natural e fisiológica em um procedimento médico, androcêntrico, tecnocrático e cheio de riscos imanentes” (Marcos Leite dos Santos, em tese pela Universidade Federal de Santa Catarina:  http://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/829/792)

A Marcha do Parto em Casa de Brasília acontecerá no domingo, dia 17/06, às 9:30 da manhã, no Parque da Cidade (próximo ao Quiosque do Atleta). Abaixo, segue um ótimo texto sobre a importância dessa manifestação:

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O domingo do dia 17 de junho promete amanhecer rosa choque em várias capitais do Brasil com a Marcha do Parto em Casa. Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Natal e mais algumas cidades do interior serão palco de manifestações das mulheres pelo direito de escolher o local em que querem parir, incluindo aí não apenas a recusa imediata de submeterem-se à posição em decúbito dorsal e terem as pernas amarradas em maternidades públicas e privadas do Brasil, mas principalmente o direito, garantido por lei, de parir em casa, como quiserem e na posição que acharem mais confortável no momento da expulsão.

As coisas pareciam calmas na área e, ainda que os partos domiciliares mal batam em 2% no país, o interesse por essa opção tem crescido no Brasil. As mulheres mais antenadas estão começando a se dar conta que parir em casa pode, entre outras vantagens, ser uma forma segura de não passar pela violência obstétrica http://www.partocomprazer.com.br/?p=2333

Mais do que isso, pode ser uma maneira seguramente amorosa de não sofrer e não permitir que o filho recém-nascido sofra intervenções que podem vir a ser prejudiciais à saúde física e emocional da dupla mãe-bebê, afinal o bebê saudável está, segundo as evidências, http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v45n1/1717.pdf mais seguro no colo da mãe e mamando na primeira hora de vida imediata e não sendo medido, pesado e vacinado antes mesmo de mamar.
Mas então, afinal, se são só 2% e se podem escolher parir em casa com os poucos obstetras e parteiras disponíveis, para que manifestação em tantas praças públicas?

É que essa pequena parcela da população está sendo ameaçada de perder a assistência que quer e acredita merecer por represálias cada vez mais insistentes dos conselhos regionais e federal de medicina do país.

Um dia após uma matéria sobre a segurança e legitimidade do parto domiciliar, feita pelo Fantástico, programa da Rede Globo de televisão, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro-CREMERJ- enviou denúnciahttp://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/06/11/cremerj-abrira-denuncia-contra-medico-que-defende-parto-domiciliar/
ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo-CREMESP- contra o obstetra Jorge Kuhn, que concedeu entrevista ao programa dominical. http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/parto-humanizado-domiciliar-causa-polemica-entre-profissionais-da-area-de-saude/1986583/

Muito amena, rápida e de pouca profundidade, como é praxe do estilo Rede Globo, a matéria sequer falou das evidências que comprovam ser o parto domiciliar tão seguro quanto o hospitalar para as gestantes de baixo risco. O obstetra Jorge Kuhn afirmou com veemência que apenas gestantes de baixo risco devem optar pelo parto domiciliar. E mais nada, a entrevista com ele foi editada em cima dessa fala que reporta os espectadores exclusivamente para a questão da segurança, sem abordar as muitas vantagens dos partos domiciliares já comprovadas por estudos da Medicina Baseada em Evidências.
Rapidamente alguns obstetras simpatizantes e praticantes da humanização do parto e do nascimento se uniram às redes de mulheres que exigem que se cumpra a lei da liberdade de escolha pela posição e local do parto; criaram uma carta aberta e uma petição pública http://partodoprincipio.blogspot.com.br/2012/06/carta-aberta-em-repudio-ao-cremerj.html
Mais do que defender um colega, a carta e a petição exigem publicamente que os conselhos regionais e federal de medicina respondam com base em evidências às ameaças e atitudes arbitrárias baseadas em crenças médicas derrubadas por sucessivos estudos científicos nos últimos anos.

“Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas. Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de autonomia.



Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas, sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado “Paradoxo Perinatal Brasileiro”. O uso abusivo da tecnologia contrasta com taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um País onde 98% dos partos são hospitalares!

Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual, defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a uma “saúde social”, onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões aceitáveis de bem estar.

Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade, resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.”

O cerco contra as atitudes arbitrárias dos conselhos de medicina está fechando e se os médicos que apoiam as políticas dos conselhos acham que estudaram demais para graduarem-se e que todas as pessoas que criticam os abusos médicos e as iatrogenias são invejosas e gostariam de ser médicas; é bom rever conceitos e ler mais publicações baseadas em evidências porque é isso que as mulheres comuns, leigas de todas as profissões, e mesmo as não graduadas andam fazendo para reivindicar direitos e uma prática baseada em recomendações científicas, não em maus hábitos, crenças pessoais e interesses particulares dos obstretas.

A perseguição às parteiras na década de 1940 praticamente baniu a prática do parto domiciliar no Brasil. O parto, inicialmente um ato fisiológico, feminino, um verbo, uma ação, passou a ser um ato médico e a cesariana, um ato médico de fato, começou a ser usada para desqualificar a potência do corpo feminino, como explica tão bem o osbtetra Marcos Leite dos Santos, em tese pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC:“A história da obstetrícia é a história de uma luta em busca de poder. A história da obstetrícia é a história da exclusão da mulher, da depreciação do universo feminino, da transformação de uma atividade inerentemente feminina, natural e fisiológica em um procedimento médico, androcêntrico, tecnocrático e cheio de riscos imanentes”http://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/829/792

O modelo hospitalocêntrico no Brasil é tão arraigado que quando uma mulher não consegue segurar a expulsão do bebê e acaba parindo na segurança do lar, sozinha ou assistida por bombeiros, é removida imediatamente para um hospital em vez de ser atendida em casa por uma equipe multidisciplinar do posto de saúde mais próximo. Fique claro que ao serem removidos, ela e o bebê correm riscos maiores de contrair infecções ou vírus.

Enquanto isso, na Alemanha, as mulheres não somente podem escolher como, onde e com quem querem parir, como também podem optar por um parto considerado como de risco maior mesmo pelos humanistas, como o parto desassistido.

Enfim, é muito retrocesso, em vez de estarmos discutindo o quanto um parto desassistido pode ser mais perigoso do que um parto assistido por profissionais da saúde que estudaram as várias indicações para remoção etc, estamos discutindo se um parto é um ato médico e necessariamente hospitalar, estamos discutindo por que perder 2%, 5%, talvez daqui 20 anos 30% de clientes parturientes, é tão importante para a corporação política e econômica da medicina.
E nessas horas a única coisa que vale é mesmo as mulheres irem para as ruas com os cartazes que gritam: “Não precisamos do seu Conselho para parir”.

 

Cláudia Rodrigues

(Fonte: http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com.br/2012/06/nao-precisamos-do-seu-conselho-para.html)

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31 de maio sem MP 557: vitória das mulheres brasileiras

Segue, abaixo, texto de Kauara Rodrigues, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), a respeito da vitória de hoje!

31 de maio sem MP 557: vitória das mulheres brasileiras

No mês de combate à mortalidade materna, comemorado em 28 de maio, nós, mulheres brasileiras, devemos celebrar uma importante conquista dos movimentos feministas: a equivocada Medida Provisória nº 557/2011 perde hoje, dia 31 de maio, a sua validade.

A MP, editada pelo Governo Dilma em 26 de dezembro de 2011, visava instituir o cadastro compulsório das gestantes para supostamente garantir a saúde da mulher e do nascituro. Além disso, ela previa o pagamento de um auxílio-transporte ao pré-natal, no valor de R$ 50.

A justificativa era reduzir a mortalidade materna, que possui taxas elevadíssimas no Brasil. Em 2010, foram registradas 68 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) o máximo deveria ser de 20 casos de morte materna a cada 100 mil nascimentos. Reduzir a mortalidade materna é uma das metas do milênio, que dificilmente será cumprida pelo nosso país até 2015, já que a queda tem sido lenta nos últimos anos.

Desde que a Medida foi editada, sem nenhum diálogo com a sociedade civil comprometida com o tema, os movimentos feministas e de mulheres, assim como setores da saúde coletiva e de direitos humanos, têm se mobilizado e feito duras críticas para impedir sua aprovação. Isso porque, ao contrário do que se propõe, a MP não é capaz de combater a mortalidade materna.

O texto enviado ao Congresso Nacional não dialoga com agenda dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, tampouco com as estratégias já construídas coletivamente, como o Plano Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), de 2004.

Ademais, entendemos que a vigilância epidemiológica é pertinente e relevante, mas deve se voltar aos serviços de saúde e não às mulheres, o que viola o direito à privacidade e ao sigilo. É importante ressaltar que o problema da mortalidade materna no país está principalmente na falta de qualidade dos serviços e do atendimento prestado às mulheres gestantes e não no acesso ao pré-natal, que tem aumentado significativamente no país. As mulheres estão morrendo dentro dos hospitais e das maternidades!

Entre o conjunto de erros trazidos no bojo da Medida está também o financiamento da bolsa a partir da aplicação de recursos da saúde para uma ação típica de assistência social.

Outro ponto problemático era a figura do nascituro no texto original da legislação, que representava um grave retrocesso aos direitos já conquistados pelas mulheres, ao inviabiliza o atendimento daquelas que tivessem decidido voluntariamente interromper a gravidez, inclusive nos casos permitidos por lei. Em janeiro de 2012, a presidenta Dilma Rousseff reconheceu o erro e reeditou a MP, retirando o artigo do nascituro, após muita pressão. Apesar de a mudança representar uma primeira vitória dos movimentos feministas, ela ainda era insuficiente.

Ao chegar ao Congresso Nacional, conforme havíamos alertado, a Medida recebeu 114 emendas ao seu texto, algumas positivas e outras ainda piores, que traziam inclusive a figura do nascituro novamente. Assim, todas as demais falhas apontadas na Medida se mantiveram presentes, com o risco de serem votadas e tornadas lei por bancadas comprometidas com o conservadorismo religioso e moral, sedentas por cargos no governo federal e sem nenhuma preocupação com a vida e a saúde das mulheres.

Diante disso, os movimentos feministas intensificaram uma verdadeira jornada contra a MP 557, por meio de inúmeras manifestações públicas, notas de repúdio, mobilizações nas redes sociais, reuniões com membros do governo federal e parlamentares, com o Conselho Nacional de Saúde e em especial com a Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher.

Por isso, hoje, sem a votação da Medida Provisória 557/2011 e com a consequente perda de sua eficácia, parabenizamos todas e todos que lutaram para esse resultado, e aproveitamos para celebrar a força dos movimentos feministas lembrando que não aceitamos quaisquer medidas que ameacem e retrocedam nossos direitos reprodutivos. Lutamos por políticas públicas de saúde que respeitem nossa autonomia, com ênfase na saúde integral das mulheres!

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“Morte de duas gestantes mostra erro em foco de MP 557”, por Vanda Albuquerque

Morte de duas gestantes mostra erro em foco de MP 557

SEG, 07 DE MAIO DE 2012
porVanda Regina Albuquerque

No dia 31 de maio, vence o prazo de votação da MP 557/2011 criada para supostamente acelerar os passos da redução da mortalidade materna no país. Ela “institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna, autoriza a União a conceder benefício financeiro” e levantou inúmeras críticas e notas de repúdio de vários segmentos dos movimentos sociais tais como CUT, AMB, UBM, FEBRASGO, UBM, MMM, AMNB, Rede Feminista de Saúde, etc.

Mas por que persistem tantas reações contrárias?

Primeiro, porque ela foi criada sem nenhuma participação dos movimentos feministas, de mulheres ou de saúde, segmentos que nas últimas três décadas, vêm participando da construção democrática de políticas na área da saúde integral das mulheres.

Segundo, porque não dialoga sequer com o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que existe desde 1984.

E terceiro, porque todo empenho em reduzir a estatística de 68 mortes para cada 100 mil gestantes se resume em ampliar o sistema de dados das gestantes e criar benefício de R$ 50 reais, pagos em duas parcelas para garantir transporte durante pré-natal, e, em nome de uma transparência, terão o cadastro disponibilizado na transparência para controle público.

Para ilustrar a falácia dessa MP, lembramos a morte de duas jovens gestantes no último dia 9 de abril, uma carioca de 21 anos e outra cearense de 22 anos, ao que tudo indica, ambas vítimas de mau atendimento nas unidades de saúde.

Os laudos revelaram que a primeira morreu em decorrência de parada cardiorrespiratória e a segunda por hemorragia digestiva. As famílias denunciam, respectivamente: “apenas deram remédio para dor”, “ela aguardou nove horas até ser atendida”.

O que denuncia que as mulheres estão morrendo dentro dos hospitais por sofrerem maus tratos, racismo e outras formas de violência institucional nas unidades/serviços de saúde.  E, assim, fica fácil constatar porque o Brasil está longe de atingir a 5ª meta das Nações Unidas, que prevê até 35 mortes para cada 100 mil até 2015.

Diante das gritantes desigualdades sociais do país, qualquer iniciativa de transferência de renda parece bem-vinda. Mas neste caso, os índices da mortalidade materna não se justificam em grande medida pela falta de transporte das gestantes, a ponto de exigir do Executivo uma MP e, sim, pela má qualidade no atendimento ao pré-natal e parto.

Isso se complica ainda mais quando esse auxílio-transporte duplica ação já existente no programa Bolsa Família, que prevê aumento da bolsa para famílias com gestantes, demonstrando a não continuidade de programas já existentes e a utilização de recursos destinados à saúde em ação típica de assistência social.

Nesse sentido, a marcha da redução da mortalidade materna no Brasil continuará lenta, caso as ações do governo não considerem as diretrizes do PAISM como caminho possível. Para além da atenção ao parto, ele prevê o planejamento familiar, a utilização de parteiras tradicionais em determinados contextos, orientação ao pós-abortamento e aborto legal, o uso de tecnologias apropriadas, o atendimento profissional capacitado e a atenção institucional ao parto, prevenção e cuidado ao câncer, atendimento às mulheres com HIV/AIDS, enfim, estratégias que ultrapassam a visão momentânea materna infantil e garantem a redução da morte materna, considerando a integralidade da saúde da mulher.

Vanda Regina Albuquerque é assessora do Coletivo Leila Diniz/RN e colaboradora do CFEMEA/DF.

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Movimento contra a aprovação da MP 557 (cadastro e vigilância das gestantes)

Está para ser votada a Medida Provisória 557 [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/557.htm ], que Institui o “Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para (supostamente) Prevenção da Mortalidade Materna”. A desculpa da proteção à saúde da mulher como pretexto para controlar nossos ventres e corpos é antiga, mas infelizmente ainda convence muita gente até hoje. Por isso, resolvemos nos posicionar:

“A redução da mortalidade materna é uma meta do milênio que não será atingida pelo governo brasileiro, pois, enquanto os Direitos Sexuais e Reprodutivos das mulheres forem tabus na sociedade, continuaremos sem avançar. O número de mortes de mulheres grávidas só será reduzido no dia em que formos livres para escolher, podendo contar com o Estado para apoiar e proteger a nossa escolha. A MP 557 não quer garantir direitos, mas controlar nossos passos. Os nossos úteros não precisam de vigilância, precisam de autonomia!

Marcha das Vadias/DF”

 

Para ajudar a entender a MP 557, publicamos abaixo um texto do Brasil & Desenvolvimento: http://brasiledesenvolvimento.wordpress.com/2012/01/30/mobilize-se-contra-a-mp-557/

“1) A maior polêmica da MP era o acréscimo do art. 19-J à lei 8.080/1990, que regula as ações e serviços de saúde. Segundo o dispositivo, o nascituro teria direito ao nascimento, o que representava enorme retrocesso na luta pela autonomia reprodutiva da mulher. Depois de forte pressão dos movimentos feministas, a presidenta reconheceu o erro deste dispositivo e retificou a MP, retirando estre trecho. Certamente, trata-se de uma importante vitória da sociedade, mas o Estatuto do Nascituro permanece bastante ameaçador às mulheres no Congresso. Por iniciativa dos parlamentares da bancada evangélica/católica, várias alterações reacionárias podem ser incluídas no texto e levadas a Plenário para votação. É preciso a mobilização total das forças feministas e progressistas da sociedade. precisamos estar presente no Congresso e no Governo, mostrando que não toleraremos recuo nos direitos das Mulheres. E ainda além, queremos conquistar mais direitos. Precisamos marcar posição, resistir à ofensiva religiosa reacionária. Essa estratégia de atuação precisa ser construída coletivamente.

2) Uma crítica geral à MP é a sua construção sem diálogo com a sociedade, em especial, sem diálogo com as Mulheres. Nem mesmo o Ministério encarregado de pautar os direitos da Mulher no governo (SPM) foi ouvido no processo de elaboração do texto. Certamente, esse isolamento não foi por acaso, uma vez que seria muito difícil, caso as Mulheres fossem ouvidas, editar uma MP sobre mortalidade de gestante sem tocar no tema dos direitos reprodutivos. Isso flerta com o cinismo.

3) Cadastro universal: o escopo da MP é a criação de políticas públicas voltadas às gestações de alto risco. Por que, então, todas as gestantes devem ser cadastradas? Importante lembrar, ainda, que este cadastro – o SISPrenatal – já existe, por meio de portaria. O Ministro Padilha afirmou que a MP foi necessária por ter maior força vinculativa que uma portaria. Além disso, a MP traz a novidade do auxílio-transporte (R$ 50,00) para as gestantes cadastradas que necessitarem.

4) Finalidade do cadastro: está claro na MP que a finalidade do cadastro é a elaboração de políticas públicas voltadas à proteção da gestante e parece evidente tratar-se de informação sigilosa (sigilo médico-paciente). No texto, contudo, não há previsão expressa nesse sentido, sendo possível, em tese, que uma autoridade policial consiga autorização judicial para ter acesso ao cadastro.

Vamos à luta!”

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Feminista por quê? – Campanha da Marcha das Vadias/DF

Como forma de divulgação da próxima Marcha e desmistificação do Feminismo, que é visto com bastante preconceito por grande parte da sociedade, a Marcha das Vadias/DF decidiu fazer uma campanha fotográfica. A ideia é, basicamente, uma tentativa simples e direta de mostrar o que é o feminismo pra gente, várias mulheres diversas e alguns homens apoiadores, mas sempre tendo em vista que os feminismos são vários e nunca contemplaremos a todos. Nessa proposta, fotografamos 44 pessoas e estamos publicando as fotos diariamente, até o dia da Marcha, na nossa página do Facebook: http://www.facebook.com/marchadasvadiasdf e também no nosso Tumblr: http://marchadasvadiasdf.tumblr.com/

O site do Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura (FLAAC 2012) publicou uma entrevista bem legal com a gente sobre o propósito da campanha: http://www.flaac2012.com.br/feminista-por-que/#.T6NXpbOZ28A

A campanha está sendo bastante elogiada e estamos muito felizes de ver o debate sobre o(s) feminismo(s) e a não-violência contra as mulheres sendo compartilhado por todos os cantos! Era justamente esse o objetivo: compartilhar, debater, refletir e transformar os feminismos em nós e no mundo!

Seguimos na luta, até que todas sejamos livres!

Marcha das Vadias/DF – 26 de maio de 2012, 13h, concentração em frente ao CONIC (próximo à Rodoviária do Plano Piloto).

 

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Metroviárias de SP denunciam incentivo à violência sexual no programa Zorra Total

Abrimos esse espaço para nos solidarizar às metroviárias de São Paulo, que denunciaram o absurdo quadro humorístico do programa Zorra Total, da Rede Globo, em que uma mulher é abusada sexualmente no metrô. Nos sentimos plenamente contempladas pela iniciativa dessas mulheres e ficamos muito felizes ao ver que cada vez mais mulheres estão se manifestando contra os abusos e violências de diversas ordens que nos atingem. Jamais nos calaremos!

Mais uma vez: Estupro não é piada e machismo não tem graça! 

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Um tweet em favor da Marcha das Vadias

Na tarde desta quinta-feira (16), simpatizantes da Marcha das Vadias de todo País promoveram um twittaço. A intenção era divulgar os ideais da manifestação, além de promover o evento por meio do Twitter.  A ação será simultânea em três Estados brasileiros. Em Brasília, Belo Horizonte e Florianópolis a marcha acontece neste sábado (18), a partir das 12h da tarde.

O twittaço estava marcado para as 15h, mas bem antes do inicio mulheres e homens já usavam a rede social como ferramenta de denúncia contra a violência sofrida por mulheres. Quando o twittaço começou, milhares de pessoas pediam em seus Twitters por mais respeito e divulgaram o evento previsto para sábado, seguido de #marchadasvadias .

A mensagem passada pela manifestação é de que os homens não têm o direito de abusar sexualmente das mulheres, independentemente do que elas estejam vestindo. Segundo as manifestantes, a marcha é um pedido de respeito e um grito de liberdade das mulheres.

Levantamento da Secretária de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) aponta que somente no Distrito Federal, em cinco meses foram 283 casos registrados de mulheres estupradas.

Em Brasília, a concentração da marcha acontece em frente ao shopping Conjunto Nacional. Os manifestantes vão percorrer a Rodoviária, a Torre de TV e seguir para o Parque da Cidade.

No mundo, a primeira Marcha das Vadias aconteceu em Toronto, no Canadá. A manifestação reuniu cerca de três mil pessoas. Mulheres de todas as idades, e alguns homens, saíram às ruas para protestar. A iniciativa foi teve início dias após uma palestra proferida a um grupo de estudantes da Universidade de York, em janeiro deste ano. A palestra abordava como evitar a violência sexual.

Na ocasião o palestrante e policial, Michael Sanguinetti, disse ao público feminino presente a seguinte frase: “As mulheres deveriam evitar se vestir como vagabundas (sluts) para não se tornarem vítimas”.

No Brasil, a Marcha das Vadias já aconteceu em algumas cidades. No último sábado (11), na cidade do Recife, em Pernambuco, mais de 200 mulheres foram para as ruas, vestidas com roupas curtas, para protestar contra a violência.

Na cidade de São Paulo a manifestação foi no dia 4 de junho, há um pouco mais de 10 dias. Um pouco mais de 300 mulheres protestaram. Não só no Brasil, após a iniciativa das estudantes universitárias canadenses está se espalhando mundo a fora. A Marcha das Vadias já aconteceu em vários países além do Brasil. Manifestantes femininas dos Estados Unidos, Argentina, Holanda e México já saíram para as ruas com palavras de ordem contra o machismo e a violência.

Em Brasília, grupos já se reúnem para a produção de materiais que serão utilizados na Marcha das Vadias. Nesta quinta-feira um grupo de pessoas se reúne, às 18h30, para a oficina de cartazes da Marcha das Vadias. O grupo estará concentrado na FA/UnB.

Fonte: ClicaBrasília

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