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Lágrimas não são suficientes: seguimos em luta contra as agressões racistas, lesbofóbicas e machistas!

Nota Marcha das Vadias  DF

lesbofobia

Em três dias, duas agressões lesbofóbicas foram noticiadas em Brasília, Distrito Federal. Certamente, muitas outras também ocorreram aqui e noutros cantos do país, mas permaneceram invisíveis.

No Setor Comercial Sul, na última terça-feira (25/02/2014), no horário de almoço, um machista espancou duas mulheres lésbicas até uma ficar inconsciente. (http://migre.me/i55OP). Uma delas teve o braço quebrado e passou por cirurgia. O agressor trabalha no Hospital de Base, exatamente ao lado do local onde aconteceu a agressão. Foi preso, o que nem de longe resolve o problema. O que nos choca, ainda mais que a violência, é a falta de reação ou solidariedade de todas as pessoas que assistiam ao crime, num dos locais mais movimentados da cidade.

Ao final do samba da última quinta-feira (27) no Balaio Café – um dos poucos lugares de resistência, encontro e celebração da vida em nossa cidade, onde diversos grupos se sentem seguros – dois casais de mulheres foram agredidos com chutes, socos e xingamentos. Em agressões racistas e lesbofóbicas, os machistas gritavam “sua neguinha, puta” às mulheres (http://migre.me/i55SP).

A violência vivenciada no estabelecimento foi intensificada na própria Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM), quando os pais de uma das garotas agrediram verbalmente a namorada da filha por ser negra e lésbica – a “pior companhia e pessoa sem alma”! As garotas convivem com a lesbofobia em suas próprias casas! Uma delas teve sérios ferimentos na cabeça e passa por exames para descartar a hipótese de hemorragia intracraniana.

Muitas vezes, as agressões acontecem em locais públicos e de bastante movimento. Ainda assim, na maioria dos casos ninguém que presencia a violência é capaz de reagir, de inibir o agressor ou se mobilizar com outras pessoas para impedir tamanha brutalidade. No Rio de Janeiro, no dia 14 de fevereiro, um casal de lésbicas foi agredido no meio da Lapa sem qualquer reação das pessoas que por ali passavam (http://migre.me/i57me). E, assim, a sociedade se omite! As violências continuam sendo naturalizadas! As vozes de quem apanha e sofre permanecem caladas.

A maneira como as polícias Militar e Civil do DF – e não só aqui –  atuam no atendimento às mulheres e LGBTs deixa – e muito – a desejar. Não nos sentimos seguras e, tampouco, protegidas por estas instituições. O Governo, seja Distrital ou Federal, também não nos representa. Não há legislação para coibir e/ou punir casos como os ocorridos nesta semana. Há, sim, silêncio e conivência por parte do Governo Federal e do Legislativo, que aceitam e cedem ao perigoso projeto de poder dos fundamentalistas religiosos. Em 2013, o Governo do Distrito Federal retirou o decreto que garantiria a punição administrativa dos casos de homofobia.

Numa sociedade em que pessoas se sentem no direito de supostamente fazer justiça com as próprias mãos e de externalizar toda forma de intolerância, com ódio de classe, de gênero e de raça, o crescimento da violência assusta. Dói, literalmente. Afunda crânios, acorrenta braços, espanca ao limite em plena luz do dia. Cotidiamente, agressões racistas, lesbofóbicas e machistas são invisibilizadas, menosprezadas e naturalizadas. Enquanto agridem e matam pessoas, enquanto a sociedade se acomoda indiferente aos nossos sofrimentos, nós carregamos as dores das agressões. Nós morremos!

Não mais! A rua é de todas! Deve ser livre para a demonstração de afetos, para a vivência das liberdades! É preciso ter políticas publicas que assegurem de verdade os direitos de vida e liberdade para todas as pessoas! A heteronormatividade e os fundamentalismos nunca nos impedirão de sentir, de desejar, de amar! Seguimos lutando para que a violência homo-lesbo-transfóbica JAMAIS nos impeça de demonstrar e expressar o que há de mais bonito, onde bem quisermos! Vamos trocar carícias, dividir segredos ao pé do ouvido, curtir músicas abraçadas, nos beijar! E vamos ocupar as ruas e os espaços com nossos corpos e comportamentos ~anormais~. Que violências e opressões não mais nos silenciem ou nos invisibilizem!

Nossa luta é todo dia! E, especialmente no mês de março, mês simbólico da luta pelos direitos das mulheres, precisamos nos unir e nos fortalecer. Gritar mais alto, sambar na cara do machismo, do racismo e da homo-lesbo-transfobia. Se carnaval é época de ser quem quisermos, que sejamos livres. Vamos construir a II Virada Feminista do Distrito Federal e dizer não a toda forma de opressão. Junte-se a nós!

Mulheres, vamos reagir! Não fiquemos caladas ou omissas quando a violência acontecer ao seu lado! Juntas somos muito mais fortes, mexeu com uma, mexeu com todas!

Brasília – DF, 28 de fevereiro de 2014!

Hoje o grito não é de carnaval!

Ontem quatro mulheres foram brutalmente agredidas no Balaio Café pelo simples fato de serem lésbicas. Uma agressão que, certamente, foi mais sentida pelas vítimas, mas que é contra tod@s nós lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros. Um ato violento, indiscutivelmente machista, racista e lesbo-trans-homofóbico.

Antes de ontem foram duas mulheres! Hoje são mais quatro que vieram a público! Não podemos tolerar violências diárias contra nossos corpos, nossa orientação sexual, nossa condição de gênero e nossa raça/etnia. O machismo, o racismo e a lesbofobia precisam ser denunciados, os agressores punidos, e as pessoas vitimizadas protegidas.

Exigimos  uma resposta imediata do Governo, dos orgãos de segurança pública e de Direitos Humanos a respeito dessas violências. A insuficiência das políticas do governo não consegue responder de forma eficaz ao enfrentamento da homofobia, e à violência institucional cometida contra tod@s nós lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais  e transgênero.

O descaso do Governo do Distrito Federal, que sequer se pronuncia sobre muitos dos casos de violência discriminatória no DF, se configura como um desrespeito às pautas de Direitos Humanos e à luta dos movimentos sociais. No ano passado, o Governador revogou, horas depois de sua publicação, a regulamentação da lei que punia administrativamente a homofobia.

O Distrito Federal é uma das unidades da federação em que mais se registra agressões físicas à população LGBT. Além disso, o GDF possui uma Coordenadoria da “Diversidade Sexual” instituída à Secretaria de Justiça Direitos Humanos e Cidadania (SEJUS/DF), que pouco faz pela comunidade LGBT. Estes organismos precisam apresentar com urgência uma proposta de ação e medidas cabíveis para enfrentar esta violência.

Só esse ano no Brasil foram mais de 60 casos noticiados de assassinatos a pessoas LGBTs. O Brasil segue sendo o país onde mais se mata LGBTs. Apesar da dor, precisamos secar nossas lágrimas e responder de forma contundente ao ocorrido, nesse momento, em que a sociedade brasileira vê crescer discursos autorizativos da intolerância,  violência,   homofobia e racismo que têm sustentado atos hediondos de violência.

Fundamental transformarmos nossa indignação em ação e continuar nossa luta!!

Nesse carnaval sairemos em bloco na luta contra as lesbo-homo-transfobias, o racismo e o machismo!

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Assinam esta nota:

Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus

ANEL

Balaio Café

Bloco das Poderosas

CACoS – UniCeuB

CADir – UnB

CFEMEA

Cia Revolucionária Triângulo Rosa

Coletiva Baderna

Coletivo Babilônia LGBT

Coturno de Vênus

Famílias Fora do Armário

Fiu Fiu – UnB

Fórum de Mulheres do DF

Fórum de Promotoras Legais Populares do DF

Juntas/Juntos

MML – DF

Movimento Honestinas

Marcha da Maconha DF

Marcha das Vadias DF

PaguFunk

RUA – Juventude Anticapitalista

Sapabonde

Tambores de Safo

 nossa missão vai ser cumprida!

Violência doméstica contra mulheres jovens: Por que omissão não é neutralidade? ou Por que a solidariedade feminina é urgente?

Não é difícil deduzir, você com certeza conhece um caso parecido com esse:

Uma mina denuncia o namorado/companheiro por agressão e o cara conta a própria versão pros amigos: “não foi bem assim, o relacionamento tava conflituoso, a gente já tinha passado dos limites”, “foi só um tapa… foi no calor do momento, ela que é histérica, tá exagerando” ou “vocês conhecem a garota, ela é louca, tira qualquer um do sério, bem que tava merecendo umas palmadas de leve, né?”. Em pouco tempo essa versão se espalha. A mina também publiciza a versão dela: “a gente tava discutindo feio, gritando um com o outro, daí ele veio e me deu um tapa” ou “no meio da discussão ele começou a me bater, eu revidei”, “ele me viu conversando com um cara, chegou em casa me empurrando e me dando soco”. A versão dela também se espalha, mas o que a gente escuta nas rodas de amigos em comum é “a gente nem sabe o que aconteceu direito, não dá pra ficar julgando o cara, chamando ele de agressor sem saber de fato o que rolou”. O cara, então, continua a frequentar normalmente os espaços comuns entre os dois – shows, bares, casa da galera, faculdade, grupo de militância etc.

A pretensa neutralidade esconde um fato: um lado dessa história foi escolhido e não foi o lado dela. Instantaneamente uma rede se solidariedade se forma pra dar o apoio ao cara. É uma rede de solidariedade que parece invisível, por isso, é tão difícil de ser apontada. É uma rede de solidariedade perfeitamente naturalizada e, por isso, qualquer crítica feita a ela soa como um ataque sem sentindo de feminazis histéricas. Não quero dizer aqui que o cara tem que ser retirado de qualquer convívio social, tem que parar de frequentar todos os espaços públicos, tem que se trancar em casa para todo o sempre (como fazem crer que é o que as feministas querem que aconteça). O que quero dizer é que, nos ciclos de amizade comuns, o que geralmente se encontra são grupos que não cogitam sequer MINIMAMENTE, pensar em criar também zonas de conforto pra mulher que fez a denúncia. Porque parece que criar uma zona de conforto pra ela significaria assumir uma postura: a de que o cara é um agressor. Mas você não pode fazer isso porque não é um juiz né, cara? Nem é deus pra ficar julgando o que você não conhece, nem viu. Então você continua carregando seu brother pra todas as baladas, pra todos os botecos, pra todos os rolês na casa da galera – mesmo quando você sabe que a mina vai estar presente – afinal, quem é você pra julgar o certo é o errado, não é mesmo? Mas aqui vai uma novidade pra você, meu brother: VOCÊ ESCOLHEU UM LADO SIM E NÃO FOI O LADO DA MINA.

Por que você não falou pro seu amigo que estava sendo acusado de agressor coisas do tipo: “cara, você tava estressado pra caralho, mas mesmo assim NÃO É DE BOA dar um tapa em ninguém”, “sei que é foda no momento da discussão, MAS O QUE VOCÊ FEZ FOI ERRADO, NADA JUSTIFICA a violência física”, “tá rolando todo esse processo, que tal a gente ir pra outro bar hoje pra evitar encontrar a mina, ou quem sabe ficar aqui em casa tomando umas?”ou “vou perguntar pra fulano se ela vai nessa festa, se ela for, a gente faz outra coisa, NÃO É MASSA FREQUENTAR OS MESMOS ESPAÇOS AGORA”.  Essas sim são posturas de quem tá dando o apoio pro brother, mas também tá se solidarizando com a posição da mina. ACORDA, CARA, A OMISSÃO É SIM UMA ESCOLHA!

E por que a solidariedade feminina é urgente? Ela é urgente pelo simples fato de que se não formos nós, mulheres, a criarmos redes de solidariedade que tragam ao menos um pouco de conforto para as minas que sofrem violência doméstica, não vão ser os caras que vão fazer. [sei bem que toda a generalização é falha, existem vários caras que percebem a escrotidão dessa sociedade machista e buscam dar conforto também pra mina. Mas também sei que esses vários caras, infelizmente, são a exceção, inclusive nos meios politizados mais libertários]. Um das grandes crueldades da violência doméstica está no fato dela ser invisível. É uma violência considerada da ordem do privado. Quando o que está em jogo é a violência praticada e sofrida entre pessoas da mesma galera, o privado é a maior justificativa pra omissão. Se a mesma garota vier no mesmo grupo pra falar que foi estuprada, agredida, assaltada por um desconhecido na rua, NINGUÉM PÕE EM DÚVIDA SEU RELATO. Mas quando o agressor é da galera, aí não tem como saber. É mais fácil chamar a garota de histérica, louca, descontrolada ou dizer que não existe como saber de nada, que é melhor não tomar posição nenhuma na confusão. E a vida segue o fluxo, inalterada pra ele, forçosamente diferente pra ela.

Se nós, as minas, não formamos esses laços de solidariedade, mulheres vítimas de violência doméstica vão continuar sendo naturalmente excluídas de seus espaços de socialização e dos espaços públicos da cidade. Não vamos comprar o falso discurso da omissão e da neutralidade. Nem vamos acreditar naqueles que falam que a nossa união resulta em um tribunal sem provas. Solidariedade tem muito menos a ver com julgamento do que com conforto e apoio. Nossas redes de solidariedade não são naturalizadas, por isso elas são tão apontadas, criticadas, ridicularizadas e minimizadas. Mas não vamos nos abater, juntas somos mais fortes na busca por uma sociedade mais igualitária, menos machista, menos violenta, menos escrota.

aguas

Não é sobre fé . É sobre política .

Em 1252, o Papa Inocêncio IV institucionalizou o Tribunal da Santa Inquisição que torturava e queimava pessoas consideradas hereges. A estimativa é de que, até 1750, cerca de 9 milhões de pessoas foram assassinadas pela Santa Inquisição. 80% eram mulheres.

Isso não é sobre fé. É sobre política

Em 1854, o Papa Pio XI estabeleceu que o início da vida se daria após a concepção – ou seja, após centenas de anos de existência da instituição.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

A Igreja Católica, alegando ausência de alma de homens e mulheres negras, legitimou a escravidão e o trato desumano aos povos africanos, sendo, inclusive, penalizados pelo Tribunal da Santa Inquisição.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

A Igreja Católica não condena o aborto nos casos de gravidez tubária ou quando a gestação coexiste com câncer no aparelho reprodutivo, porém condena nos casos em que a mulher carrega gestação forçada, resultante de estupro.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

Em 2009, a Igreja Católica excomungou, no interior de Pernambuco, a mãe da menina de 9 anos que, estuprada pelo padrasto, recorreu ao aborto legal por estar grávida do agressor, mesmo após os médicos terem declarado que a criança corria risco de vida caso levasse a gestação adiante. A instituição fez o mesmo com os médicos que realizaram o procedimento. Quanto ao estuprador: a igreja não estipulou nenhuma punição.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

O Conselho Nacional dos Bispos do Brasil tem assento no Conselho Nacional de Saúde e Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial – órgãos deliberativos mistos (sociedade civil e Estado) que exercem influência sobre a construção de políticas públicas que tem como público-alvo toda a sociedade brasileira, inclusive a população não-católica.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

A Igreja Católica articula-se para impedir a sanção integral do PLC 03/2013, impedindo o atendimento humanizado às vítimas de estupro.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

Em março de 2013, tomou posse como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara o deputado pastor Marco Feliciano, desde então os projetos da Cura Gay (Projeto de Decreto Legislativo-234/11) e Estatuto do Nascituro (PL-478/07), entre outras atrocidades, passaram a assombrar mais fortemente a garantia dos direitos humanos no Brasil.

Isso não é sobre fé. É sobre política.

Durante as comemorações do 53o aniversário de Brasília-DF, abril de 2013, o “Governo do Distrito Federal apoiou, estimulou e financiou um palco gospel. Fato que infringe a laicidade do Estado, e privilegia justamente a religião evangélica em detrimento de todas as outras. Nossa defesa ampla e irrestrita a favor da laicidade do Estado visa, principalmente, questionar o fundamentalismo religioso ressignificado como política pública. Fundamentalismo religioso cultural como política pública, em detrimento da imensa diversidade cultural deste país” (Leia mais: https://marchadasvadiasdf.wordpress.com/2013/05/29/nota-da-marcha-das-vadias-df-sobre-o-palco-gospel-no-aniversario-de-brasilia-2013/)

Isso não é sobre fé. É sobre política.

Em junho de 2013, ocorreu em Brasília a “Manifestação pela liberdade de expressão, liberdade religiosa e família tradicional”, organizada pelo pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Na ocasião, um enorme palco de shows e pregação evangélica foi montado em frente ao Congresso Nacional, e o próprio pastor fez uma declaração dizendo que a Presidenta Dilma, os ministros do executivo e do STF deveriam ficar em alerta, pois os evangélicos não permitirão a aprovação do casamento gay e a legalização do aborto.

Definitivamente, isso não é sobre fé. É sobre política!

O ato realizado durante a Marcha das Vadias-RJ, no ano de 2013, em que símbolos da Igreja Católica foram manipulados e destruídos durante a visita do Papa,

Não foi um protesto sobre a fé. Foi um ato político.

As ameaças às integrantes da Marcha das Vadias em todo o Brasil e associações desses coletivos horizontais à política institucionalizada e partidária, ao governo que frequentemente é alvo de crítica da própria Marcha das Vadias justamente por, entre outros motivos, cedem às pressões de setores religiosos, e violam sistematicamente os direitos das mulheres por políticas e normatizações que não nos representam,

Não são uma reação baseada na ofensa de determinada fé. E sim, um ataque político!

Na Internet têm circulado montagens com expressa intenção difamatória, como essa:

Essa montagem é um ato de perseguição política. Foi publicada em 29/07/2013 na página do Facebook intitulada Chora PT. Outras montagens similares e igualmente difamatórias de integrantes e apoiadoras das Marchas das Vadias no Brasil foram publicadas e estão sendo compartilhadas por milhares de usuários nas páginas: FORA PT, FORA PT 2, Dilma Rousseff NÃO, Comunistas Caricatos, Política e Ética, Alerta Brasil, entre outras que desconhecemos e porventura foram publicadas ao longo desta semana histórica que sucede a realização da Marcha das Vadias do RJ, a visita do Papa ao Brasil e a Jornada Mundial da Juventude.

Essa montagem é um ato de perseguição política. Foi publicada em 29/07/2013 na página do Facebook intitulada Chora PT. Outras montagens similares e igualmente difamatórias de integrantes e apoiadoras das Marchas das Vadias no Brasil foram publicadas e estão sendo compartilhadas por milhares de usuários nas páginas: FORA PT, FORA PT 2, Dilma Rousseff NÃO, Comunistas Caricatos, Política e Ética, Alerta Brasil, entre outras que desconhecemos e porventura foram publicadas ao longo desta semana histórica que sucede a realização da Marcha das Vadias do RJ, a visita do Papa ao Brasil e a Jornada Mundial da Juventude.

Integrantes da Marcha das Vadias em todo o Brasil vem sofrendo graves ameaças, revelando que no Brasil não se tem respeitado o conceito de democracia e liberdade de expressão. Lutamos por um Estado Laico. Nesse sentido, entendemos que a performance ocorrida durante a Marcha das Vadias-RJ foi um ato político necessário diante de fundamentalismos religiosos que cada vez mais pauta a agenda política desse país.

A Marcha das Vadias-DF destaca ainda que a participação na audiência pública com a Presidenta Dilma Rousseff não foi um momento de acordos com o Governo Federal, e sim um importante passo no sentido de criticar como a total invisibilidade das pautas de mulheres e direitos humanos tem sido encaradas neste e nos governos anteriores. (Leia mais: https://marchadasvadiasdf.wordpress.com/2013/07/05/nos-queremos-a-descriminalizacao-do-aborto-e-voce-dilma/#more-748)

A Marcha das Vadias-DF apoia a Marcha das Vadias-RJ e denuncia as manifestações violentas contra suas integrantes e demais Marchas das Vadias do país, como um ataque político que explicita a misoginia presente em nossos cotidianos, expressa na gana latente de jogar mulheres que transcendem os espaços permitidos pela sociedade machista em grandes fogueiras.

As ameaças e difamações indicam a força política conquistada pelas Marchas das Vadias no Brasil ao longo de seus três anos de existência. E deixam ainda mais forte a urgência de resistirmos no combate às opressões de toda ordem e aos fundamentalismos.

Estamos unidas nesse enfrentamento!

E seguiremos gritando bem alto: MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS!

Nós queremos a descriminalização do aborto! E você, Dilma?

MdV DF em ato contra o PL da Cura Gay, 27/06/2013. A faixa fez parte da performance contra o Estatuto do Nascituro ao fim da Marcha das Vadias DF, 22/06/2013.

MdV DF em ato contra o PL da Cura Gay, 26/06/2013. A faixa fez parte da performance contra o Estatuto do Nascituro ao fim da Marcha das Vadias DF, 22/06/2013.

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Nota prévia a respeito da expulsão de homens em situação de rua

A Marcha das Vadias/DF vem, através desta nota prévia, manifestar que o nosso silêncio prolongado diante do caso da expulsão de dois homens em situação de rua, na última Marcha, por agressão a mulheres manifestantes (tendo sido a primeira expulsão especialmente divulgada e comentada nas redes sociais), não significa, de forma alguma, negligência ou insensibilidade de nossa parte em relação à situação e às críticas. Desde o dia da Marcha, temos debatido exaustivamente essa questão e nos repensado à exaustão, na tentativa de aprofundar, dentro do coletivo da organização da MdV DF, tanto o debate racial, sempre tão difícil e necessário, como nossa relação com populações em situação de rua e movimentos da área de saúde mental.

Hoje, a Comissão de Segurança da MdV/DF realizará a segunda reunião para tratar do ocorrido e levar um posicionamento a ser discutido, coletivamente, na reunião geral de avaliação da Marcha, que ocorrerá no domingo. Por sermos muitas e pela multiplicidade de posicionamentos que existem dentro da organização da MdV/DF a respeito do ocorrido, compreendemos que qualquer posicionamento coletivo, ainda mais diante de uma questão tão complexa e delicada, tem de ser muito discutido internamente antes de tornar-se público. Por isso, contamos com a compreensão de vocês até o lançamento da nota oficial do coletivo organizador da Marcha das Vadias/DF sobre esses acontecimentos, no mais tardar até 2ª-feira, e desde já nos colocamos abertas a todas as críticas e possibilidades de diálogo. 

 

Marcha das Vadias/DF

E-mail: marchadasvadiasdf@gmail.co

Facebook: www.facebook.com/marchadasvadiasdf

Nota de repúdio à tentativa de criminalização de movimentos sociais no DF

A Marcha das Vadias – DF repudia a recente exposição de membros do Grupo Brasil e Desenvolvimento (B&D) em rede nacional, assim como as detenções preventivas de pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), devido ao ato de manifestação #copapraquem na sexta-feira da semana passada (14 de junho de 2013).  Desde então militantes tiveram suas identidades expostas, de forma depreciativa e caluniosa como se fossem “terroristas”, pela Secretaria de Segurança Pública do Governo de Distrito Federal, em clara tentativa de criminalizar o movimento e restringir liberdades de atuação política dos membros do grupo.

Embora nossa Constituição tenha entre os objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre e a garantia do direito fundamental à livre manifestação do pensamento, casos de perseguição política são cada vez mais comuns. Sob o manto da democracia e da nossa constituição, temos a falsa segurança de que os tempos sombrios das perseguições durante a ditadura militar ficaram para trás. Entretanto, na tentativa clássica de deslegitimar a luta dos movimentos sociais, estes são com frequência alvos de tentativas de criminalização, bem como de manipulação por parte de governos e da mídia comprada que os apoia. O coletivo Marcha das Vadias DF repudia qualquer forma de cerceamento da liberdade de expressão e de manifestação, principalmente quando tem nítido caráter persecutório.

O movimento B&D e o MTST têm várias pautas que coincidem com as quais lutamos como Marcha das Vadias –DF. Integrantes de ambos os grupos  estiveram presentes em lutas conjuntas. Algumas integrantes do B&D também integram a Marcha das Vadias-DF.

Mayra Cotta, uma das integrantes do B&D que teve sua foto estampada em várias mídias, é uma companheira vadia. O Governo do Distrito Federal, assim como alguns veículos de comunicação tentaram estabelecer uma relação de incoerência entre o exercício de sua profissão e sua militância. A Constituição Federal garante a qualquer cidadã e cidadão o direito a manifestar-se e a protestar, independentemente do cargo que ocupe. Atestamos o comprometimento de nossa companheira com as causas pelas quais lutamos e reafirmamos nosso apoio e solidariedade a ela neste momento de perseguição política. Não nos calaremos! Mexeu com uma, mexeu com todas!

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NOTA DA MARCHA DAS VADIAS -DF SOBRE O PALCO GOSPEL NO ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA – 2013

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Em 2013, após mais da metade do mandato cumprido, é inegável que a gestão do Governador Agnelo Queiroz tem noção estratégica muito bem definida do que se pretende fomentar e desenvolver para o Distrito Federal. Consideramos este fato ao nos manifestarmos sobre a recente comemoração do aniversário de Brasília, episódio que motiva a nota abaixo:

A cultura fundamentalista no poder

“Sabemos que as políticas públicas de Cultura não alcançam o feminicídio ao qual somos submetidas cotidianamente. Entendemos por feminicídio o conjunto de violências contra mulheres: estupros, mortes, espancamentos, silenciamentos, invisibilidades… Sabemos também que o machismo e a misoginia são culturas.

O combate ao feminicídio nos levou a realizar a I Virada Feminista do DF. Declaramos no manifesto deste levante que: “A Virada Feminista do Distrito Federal surgiu exatamente da necessidade de reagir a essa cultura que nos oprime, violenta e mata diariamente. Ela nasceu da união de esforços de organizações feministas e também de mulheres feministas que querem aliar cultura e política para assumirem o protagonismo no desenho de uma nova sociedade.” (O manifesto completo da Virada pode ser encontrado aqui:http://www.feminismo.org.br/)

Portanto, é nosso dever nos pronunciarmos sobre as comemorações do 53o aniversário de Brasília-DF. Na ocasião o Governo do DF apoiou, estimulou e financiou um palco gospel. Fato que infringe a laicidade do Estado, e privilegia justamente a religião evangélica em detrimento de todas as outras. Nossa defesa ampla e irrestrita a favor da laicidade do Estado visa, principalmente, questionar o fundamentalismo religioso ressignificado como política pública. Fundamentalismo religioso cultural como política pública, em detrimento da imensa diversidade cultural deste país.

É também necessário reivindicarmos a mínima paridade entre homens e mulheres nas atrações musicais do aniversário de Brasília. Cultura é uma ação política. Não assistiremos passivas recursos públicos e esforços políticos que não avançam no entendimento de que somos maioria da população brasileira, minorizadas por diversas opressões. Não assistiremos passivas o desrespeito às nossas ações, imaginários, territórios e linguagens criativas. Não assistiremos passivas os ataques às nossas especificidades e aos propósitos que nos impulsionam.

Reforçamos que:cultura é uma ação política! Por isso, criamos, tocamos,escrevemos, dançamos, pintamos e cantamos. Para que nossa imaginação esteja a favor e a serviço da vida das mulheres. E que sejamos respeitadas nesta dimensão de força criadora. Ao “culturalizar” os espaços públicos em tempo de feminicídios, precisa-se levar em conta esta perspectiva. Bem como, o combate a homofobia e ao racismo. Esta perspectiva, deveria ser prioridade política, na luta contra o Apartheid cultural que assola este país.

Ironicamente, produzimos esta nota concomitante a “revogação” do decreto que regulamenta a lei de combate a homofobia no DF (Decreto nº 34.350/2013) pelo governador Agnelo numa das manobras políticas mais autoritárias, infundadas e ilegítimas da história do Distrito Federal. Somos cidadãs e reivindicamos uma cultura política que combata os fundamentalismos religiosos. Uma cultura política que torne reais ações públicas qualificadas. Uma cultura política que garanta nossa autoestima, liberdades e inclusão social. Enfim, uma cultura política que entenda nossa identidade de gênero como definidora da identidade deste país.

Marcharemos em 22 de junho deste 2013, pelo terceiro ano consecutivo para que uma nova cultura surja, uma cultura política a favor e a serviço da vida das mulheres.”

Marcha das Vadias – DF 

22.06.2013 – Concentração na praça do chafariz – Conjunto Nacional

https://marchadasvadiasdf.wordpress.com/
http://www.facebook.com/marchadasvadiasdf
http://www.vakinha.com.br/vaquinhap.aspx?e=196369

Mulheres no samba

Escrito por Jaqueline Ogliari

(disponível em: http://www.almanaquebrasil.com.br/especial/10542-mulheres-do-samba.html)

O samba começou como um gênero predominantemente masculino. Lembramos de nomes como Cartola, Ataulfo Alves, Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Candeia, Wilson Batista, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola e muitos outros homens que, com suas canções, consolidaram o samba como símbolo de identidade nacional.

Mas grande parte do sucesso desses sambistas coube às vozes inabaláveis de mulheres, intérpretes que revitalizaram o samba com muita suavidade e emoção. Nas casas das tias baianas, nasceu o samba carioca, marcado pelo pandeiro e a batida da faca no prato – foi no quintal de Tia Ciata que nasceu o primeiro samba gravado, Pelo Telephone.

Clementina, Jovelina e Dona Ivone Lara formaram a tríade do samba carioca, vozes legítimas da raiz africana no Brasil. Da melancolia do samba-canção, surgiram as célebres Dalva de Oliveira e Dolores Duran, marcadas pela intensidade ao cantar e viver. Com Nara Leão, Aracy de Almeida e Clara Nunes, o samba arrebatou-se com a força da mulher.

Hoje o samba se faz universal na voz de novas cantoras, que refrescam o nosso gênero mais brasileiro. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, vamos saudar as divas do samba, que o deixam cada vez mais vivo e feminino.


Com Tia Ciata, nasce o samba carioca

Estudiosos são unânimes ao apontar a casa da Tia Ciata como o berço do samba carioca, ainda no início do século 20. Na célebre Praça Onze, zona portuária do Rio, negros recém-chegados da Bahia batucavam no quintal da mais famosa das tias baianas. A hospitalidade dessa mulher foi a base para que grandes compositores pudessem desenvolver o ritmo carioca.

Com comida boa e rodas regadas a muita música, a casa de Tia Ciata logo se tornou tradicional ponto de encontro, onde se reuniam grandes nomes, como Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô e Heitor dos Prazeres. Numa dessas rodas, Donga e Mauro de Almeida compuseram Pelo Telephone, o primeiro samba gravado na história da música brasileira.

Naquela época, os encontros de samba eram proibidos pela polícia. Mas, para as batucadas na casa de Tia Ciata, os homens da lei faziam vista grossa pela sua fama de curandeira. Segundo registros, Ciata curou uma ferida da perna do presidente Venceslau Brás, que em troca lhe atendeu ao pedido de arrumar um trabalho para o marido: um lugar no gabinete do chefe de polícia.

Raízes do samba brasileiro
Tempos depois, nos idos de 1963, Hermínio Bello de Carvalho descobriu por acaso uma das vozes mais imponentes do samba brasileiro: Clementina de Jesus, com 62 anos de idade. “Me vi diante de algo insólito, único”, descreveu o compositor num papo com o Almanaque em 2007.

Hermínio levou Clementina para participar do espetáculoRosas de Ouro, e por ele ficou conhecida no Brasil todo. Gravou com Pixinguinha e João da Baiana, e em 1983 foi homenageada com um grande show no Teatro Municipal do Rio. O respeito pela sua voz, raiz da África na música brasileira, lhe rendeu um apelido digno de majestade: Rainha Quelé. 

Descoberta tardiamente, assim como Clementina, Jovelina Pérola Negra ajudou a consolidar o pagode, originado a partir do samba tocado nos fundos de quintais. Herdou de Quelé o jeito amarfanhado de cantar, e gravou seu primeiro disco em 1985, Raça Brasileira, conquistando muitos fãs do mundo artístico, como Maria Bethânia e Alcione.

Jovelina integrou o grupo de sambistas anônimos da Império Serrano, assim como Dona Ivone Lara, que na época ainda trabalhava como assistente social. Ambas compartilharam a mesma musicalidade e são consideradas as grandes damas do samba carioca.

Apesar de ter se consagrado só depois de 1965, quando se tornou a primeira mulher a fazer parte da ala dos compositores de uma escola de samba, Dona Ivone já fazia sucesso nas rodas informais. A partir de 1977, dedicou-se por completo à carreira artística. 

Em 1980, cantou no palco do Teatro Vila Velha, em Salvador, com Clementina de Jesus. As duas eram tão amigas que chamavam uma a outra de “mana”. Nesse show, cantaram o clássico de Dona Ivone, que Quelé tanto adorava: Sonho meu, sonho meu / Vai buscar quem mora longe…


Divas do samba-canção

O gênero é um tipo de samba, influenciado pelo bolero mexicano e a onda de romantismo que tomava conta das rádios no fim da década de 1930. Expressava principalmente a melancolia por um amor perdido, e foi Lupicínio Rodrigues, um dos grandes compositores do estilo, que inventou o termo que o definiu: dor-de-cotovelo.

O samba-canção também teve suas intérpretes na época de ouro, marcadas pelo canto intenso e arrebatador. Tamanha intensidade deu à Adiléia Silva da Rocha o nome artístico de Dolores Duran, que significa dor sem fim.

Dolores compôs junto com Tom Jobim o samba O Negócio é Amar, que foi interpretada por Nara Leão. Morreu muito jovem, aos 29 anos, vítima de um infarto causado pelas doses excessivas de álcool e cigarro. 

Em 1935, Dalva de Oliveira integrou o Trio de Ouro, do qual fazia parte seu marido, Herivelto Martins. Consagrou-se Rainha da Voz pelo canto afinado e belo. Com o fim do casamento com Herivelto, depois de tantas brigas e traições, Dalva assumiu carreira solo.

Do samba pra bossa, da bossa pro samba
A amizade de Noel Rosa e Aracy de Almeida começou entre cervejinhas da Taberna da Glória, em 1933. Lançou-se como intérprete de suas canções e cantava nas rádios cariocas. Em maio de 1937, Noel Rosa morreu aos 26 anos. Aracy gravou em dois álbuns seus sambas inéditos, como Conversa de Botequim e O X do Problema, salvando-os do esquecimento.

Na década de 1950, mudou-se para São Paulo e foi contratada pela Rádio Record, famosa por consagrar grandes vozes brasileiras. Mas, Aracy foi perdendo espaço para a bossa nova, gênero que arrebatava o público com seu novo jeito de cantar samba.

Revelada pelas rádios cariocas, Elizeth Cardoso também se destacou no samba-canção. Cantou com Vicente Celestino, Aracy de Almeida, Noel Rosa, entre outros. Mas fez-se Divina ao ser a primeira cantora da bossa nova, interpretando canções de Vinicius de Moraes, João Gilberto e Tom Jobim.

No caminho inverso, Nara Leão abandonou a bossa nova e foi ao encontro dos sambistas do morro. “Chega de bossa nova. Chega de cantar para dois ou três intelectuais uma musiquinha de apartamento. Quero o samba puro, que tem muito mais a dizer, que é a expressão do povo”, declarou, numa entrevista à revista Fatos & Fotos, em 1964.

Nara pôs-se contra a ditadura militar. Queria ser a cantora do povo, e para isso se aproximou de Zé Keti e Nelson Cavaquinho, “os artistas populares genuínos”, como definia. Morreu em 1989, mas sua voz marca gerações até hoje.

Filha de Ogum com Iansã
Clara Nunes começou na carreira artística cantando boleros em Minas Gerais, mas abandonou tudo e foi para o Rio tentar a vida com samba. Estreou com Você Passa e Eu Acho Graça, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, grande sucesso radiofônico.

Viajou à África, representando o Brasil, e converteu-se ao candomblé. Casou-se com Paulo César Pinheiro, que a imortalizou com suas canções: Sou a mineira guerreira / Filha de Ogum com Iansã.

Gravou, em 1970, seu quarto LP, no qual interpretou Ilu Ayê, samba-enredo da Portela, uma das paixões de Clara. Foi uma das cantoras que mais gravou composições dos mestres da Portela. Em 1975, lançou pela Odeon o álbumClaridade, que vendeu mais de 400 mil cópias, desmentindo a máxima de que “mulher não vende disco”.

Clara lutava pela emancipação feminina. “Não tenho medo de nada. Eu sou mulher. Eu sou tudo muito. Sou feminista pela emancipação da mulher. Mas – pelo amor de Deus! – a feminilidade vamos manter.”

Morreu jovem, aos 39 anos de idade, em decorrência de uma mal-sucedida cirurgia de varizes. Seu corpo foi velado na quadra da Portela, onde mais de 50 mil pessoas passaram para deixar o último adeus.

Novo samba feminino
Convidada para participar do musical Rainha Quelé, em 2002, Ignez Francisco da Silva volta aos palcos aos 67 anos de idade. Batizada por Hermínio Bello de Carvalho de Dona Inah, a paulista de Araras canta samba desde os 14 anos, mas só com a gravação do primeiro álbum, Divino Samba Meu, conseguiu engrenar a carreira artística.

A partir daí, ganhou reconhecimento como nova revelação do samba. Gravou o segundo álbum com repertório de Eduardo Gudin em 2008, e já prepara o terceiro, como conta em entrevista ao site do Almanaque.

Hoje o samba contemporâneo brilha na voz de novas cantoras, que ganham espaço no cenário musical pelo frescor e muita suavidade. Destaque para Fabiana Cozza, Mariana Aydar, Teresa Cristina, Lucinha Guerra e Roberta Sá, mostrando os muitos matizes desse gênero cada vez mais feminino.


SAIBA MAIS

Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro, de Roberto Moura.
Dona Ivone Lara, por Zélia Duncan, da Coleção Álbum de Retratos.
Clara Nunes: Guerreira da Utopia, de Vagner Fernando.
Veja ao lado vídeos com algumas canções das grandes mulheres do samba.

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