Arquivo da tag: virgindade

Integrantes da banda New Hit estupram duas adolescentes. Do que o machismo é capaz?

Mais uma vez nos deparamos com um caso de estupro, em que as mulheres são culpabilizadas pela violência e, por isso, acabam sendo agredidas duplamente. A Marcha das Vadias do DF repudia veementemente a maneira com que estão sendo tratadas as duas meninas que sofreram abuso sexual por todos os integrantes da Banda New Hit, que devem responder judicialmente pelos bárbaros atos! É vergonhosa a organização de uma manifestação para apoiar os músicos criminosos, enquanto as vítimas e seus familiares permanecem encarcerados em casa por medo de retaliações e consumação das ameaças que recebem por telefone. A violência sobre essas meninas ainda não terminou: suas vidas e imagens estão sendo expostas, suas nomeações foram substituídas por xingamentos. Qual é a lógica que continua determinando o modo de pensar, que inverte papéis e condena vítimas? O machismo violentou essas meninas inúmeras vezes: o machismo fez com que estes homens acreditassem que detinham a propriedade dos corpos dessas meninas; o machismo fez com que acreditassem que a vontade delas não existia frente à vontade desses homens; o machismo fez com que duvidassem da denúncia dessas meninas mesmo que estivessem cobertas de sêmen; o machismo fez com que duvidassem delas mesmo com o laudo médico atestando a presença de hematomas e lesões nos órgãos genitais dessas meninas; o machismo fez com divulgassem fotos dessas meninas com xingamentos e dizeres que induzem a pensar que elas desejaram a violência sofrida; o machismo fez com que as pessoas organizassem uma manifestação em defesa de homens que acreditam que os mundo foi feito somente para eles. Pois estamos aqui e não vamos mais nos silenciar diante de tanta violência! Esse mundo também é nosso, somos donas dos nossos corpos e desejos. Não vamos mais deixar que somente o machismo se manifeste por aqui.
O papel de mídias, redes sociais é comunicar, sem dúvidas. No entanto o que ocorre é uma reprodução, em larga escala, de padrões de hierarquização que reificam e essencializam mulheres, por reafirmarem que estas são passivas, vagabundas, “putas” e que, por tudo isso, são também estupráveis. Se o papel das mídias é também construir narrativas culturais, pessoas e instituições que estão despedaçando a imagem dessas meninas vítimas de estupro – por banalizarem este crime – apenas reafirmam que comportamentos machistas e agressivos são aceitos socialmente. O padrão de masculinidade veiculado por mídias e pessoas machistas impede homens de serem mais que apenas brutamontes, agressores, estupradores, assassinos, “machos de verdade” e, assim, cria uma cultura de estupro em nossa sociedade. Mas, novamente, há vozes dissonantes que lutam por e com mulheres, homens, pessoas livres de opressão, de violência, de sexo SEM CONSENTIMENTO. Estupro não é um problema apenas da pessoa que comete o crime, mas sim da nossa sociedade, que não pode ser conivente com uma violação de corpos e integridades físicas e morais. Por isso, a Marcha das Vadias acredita que liberdade de expressão não deve significar liberdade de opressão.

 

#NewHitNaCadeia

Anúncios
Etiquetado , , , ,
Anúncios